terça-feira, 24 de outubro de 2017

A greve e os destinos da cidade - Por Sofia Cavedon

Reprodução Video
Artigo publicado na edição desta terça-feira, 24, no jornal Correio do Povo.

Diante do impasse da greve que passa de 20 dias, o prefeito não parece preocupado, diz que não a criou e alega que a categoria municipária radicaliza e não tem compreensão do momento. Será que é este o papel que a cidade espera do governante diante da redução profunda do atendimento na saúde, de riscos ao ano letivo, de paralisação parcial das funções do DMAE, da Secretaria do Meio Ambiente, da Assistência Social e tantas funções essenciais à cidade?

A greve tem componentes diferenciados das de anos anteriores que buscavam fundamentalmente reposição das perdas salariais: o tema das condições de trabalho, sem assédios e instabilidade, de garantia da autonomia profissional para atender os  interesses públicos e a defesa da manutenção do tratamento da água e do esgoto, coleta e distribuição daquele bem essencial, mobilizam fortemente.

Alguém dirá que as medidas amargas que tenta aplicar o prefeito, se fazem necessárias, "afinal a crise está aí". Mas disso não se convenceu a justiça  que há cinco meses mantém a determinação de  pagamento em dia dos salários e de aplicação de multa diária.

Desde o início da gestão, a escolha foi o caminho do não diálogo. A proposta de revisão do IPTU – iniciativa que com alterações representaria alternativa de incremento de receita por um caminho de maior  justiça tributária - foi derrotada, pois nem a população beneficiada conheceu e pôde defender, nem os próprios municipários tiveram a oportunidade de se apropriar, uma vez que dispensados da gestão da cidade e desprestigiados sistematicamente em seu fazer.

Até hoje não há uma explicação convincente da guerra que o governo encetou contra as comunidades escolares, alterando a rotina que tirou tempo escolar dos alunos e de formação/ planejamento dos professores, diminuiu alimentação e atendimento em tempo integral. Qual é mesmo a proposta para a educação municipal que este governo tem e que colocou no lugar desse desmonte?

É preciso retomar o caminho de diálogo e da construção coletiva e processual, afinal, é dos destinos de todas e todos que se trata e numa cidade que conquistou a democracia como método para além da eleição e a cidadania como direito para além da prescrição legal.

Vereadora e Líder da Bancada do PT na Câmara Municipal de Porto Alegre.