sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Ataques aos funcionários são ataques à cidade - Por Sofia Cavedon*

Foto Marta Resing
Artigo publicado na edição desta sexta-feira, 29, no jornal Correio do Povo.

O Prefeito desfere mais golpes no funcionalismo: parcela salário pela quarta vez, descumprindo decisão judicial, segue com projetos de lei na Câmara que retiram a estabilidade do regime de trabalho, que reduzem brutalmente os ganhos salariais pelo tempo de serviço e pela qualificação, legaliza parcelamento e atraso de salário.

Essas propostas já repercutem num grande número de aposentadorias precipitadas pela insegurança de servidores que, já tendo tempo suficiente para se afastar, seguiam mantendo, com sua qualidade, serviços públicos essenciais. Falamos da qualidade da água na cidade, do atendimento à saúde da população, do licenciamento ambiental, da aprovação de projetos urbanos, da engenharia de trânsito, da escola dos bebês aos jovens e adultos. Nenhuma dessas políticas subsiste sem os seres humanos, sua autoria, conhecimento e motivação.

Marchezan Júnior não pensa assim. Dispensa funcionários. Tudo pode virar mercadoria, a ser ofertada por margens de lucro aferidas por entes privados. Olha os direitos e vê oportunidade de negócios. Tornam-se incômodos e desnecessários os serviços e os servidores públicos. É preciso convencer que eles não funcionam. Ou não teria enviado à Câmara projeto possibilitando a venda do DMAE – órgão que funciona bem, referência de tarifa e de qualidade da água para ao mundo, superavitário e que fez chegar água tratada a 100% da cidade! Ou não estaria sucateando ainda mais a Carris - tanto que o MP de Contas requereu uma auditoria operacional. Carris, instrumento poderoso na mão de um gestor que quer, de fato, incidir para que o transporte público seja de qualidade com tarifas módicas.

Marchezan Junior, com sua sanha privatizadora não se importa se a Assistência Social não mais atende a população mais vulnerável para que acesse programas sociais, se o Mercado Público virar shopping center com preços caros e elitizados. Pensa a cidade para poucos. Tira o direito à cidade da maioria. Não fosse assim, não tinha suspenso o Orçamento Participativo, não tinha mandado à Câmara projeto de lei que tira poder dos Conselhos das mais diversas áreas, onde a sociedade civil representada incide diretamente sobre as políticas públicas.

Prefeito, esse caminho é um desastre para a cidade e sua cidadania. Respeito e diálogo é que constroem saídas para os desafios que ela apresenta!

*Vereadora e Líder da Bancada do PT na Câmara Municipal de Porto Alegre.