quinta-feira, 16 de março de 2017

Leonardo Boff apoia luta de professores e diz que Marchezan foi autoritário e antidemocrático

Foto Guilherme Santos/Sul21
Leonardo Boff abriu terceira assembleia dos educadores de Porto Alegre e fez um chamado para que professores resistam ao desmonte da educação pública. 

Marco Weissheimer/Sul21

O escritor e teólogo Leonardo Boff defendeu, no final da tarde desta quinta-feira (16), a mobilização dos professores da rede municipal de ensino de Porto Alegre e criticou a postura do prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB), que quer mudar a rotina de trabalho e de organização nas escolas. “Estou aqui para apoiar a luta de vocês em defesa de um projeto que nasceu na base e não pode ser abandonado. O mais triste é que o prefeito foi autoritário e antidemocrático. Esses temas têm que ser discutidos com os professores e com as comunidades antes de qualquer mudança”, disse Boff, que abriu a terceira assembleia da educação municipal, no Centro de Eventos Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia, organizada pelo Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) e pela Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (Atempa).

Leonardo Boff foi aplaudido de pé e ovacionado pelas professoras e professores que praticamente lotaram a Casa do Gaúcho. Acompanhado da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), Boff fez uma saudação ao público e conclamou todos a uma luta de resistência e, se for preciso, de desobediência civil.

Foto Guilherme Santos/Sul21
“Os laços de proximidade que os professores criam com os alunos desde quando os acompanham no café da manhã serão destruídos pela proposta apresentada. A resistência é um valor ético. Pena que no Brasil não temos a tradição da desobediência civil que é algo sagrado nos Estados Unidos. Ao não consultar o povo, um governo perde a autoridade. Ele é representante de vocês todos, não é o dono do projeto. Por isso, é preciso resistir. E, junto com a resistência, vem a resiliência, que é a capacidade de aprender e dar a volta por cima”, afirmou.

Professores e professoras ovacionaram discurso de Leonardo Boff no Centro de Eventos da Casa do Gaúcho.

Boff aconselhou ainda os professores a não ficarem sozinhos. “Tragam gente das comunidades para essas lutas. É fundamental manter a unidade e a resistência para obrigar o prefeito a dialogar e debater a situação da educação com os professores e a comunidade. Lembro o governo de Olívio Dutra, quando tivemos um rico processo de participação e de diálogo com os professores. Há toda uma tradição aqui que não deve ser perdida. Mantenham-se fortes, resistam e, se for necessário, pratiquem a desobediência civil. Aquilo que é verdadeiro tem força em si mesmo”.

Fonte: Portal Sul21

Assembleia

Foto Simpa
Quase 1.500  trabalhadores/as em educação da Rede Municipal de Porto Alegre lotaram a plenária, no Centro de Eventos do Parque Harmonia. Depois de discutir em grupos organizados por regiões da cidade, foi deliberada por unanimidade a manutenção da rotina escolar elaborada em 2016 para o ano 2017. A luta pela revogação do Decreto nº 19.685, de 21 de fevereiro de 2017 continua.

Outras Deliberações

– Realização de assembleias dos conselhos escolares para construção conjunta de uma agenda de mobilização;
– Luta pela realização de Congresso Constituinte da Educação;
Assembleia da Educação, na próxima quinta-feira (23), no início da tarde;
– Realizar Plenária da EJA, no dia 24;

Junto com a Associação dos Trabalhadores em Educação Municipal de Porto Alegre (Atempa) e o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), as comunidades escolares serão convidadas e mobilizadas para participar, no dia 22, às 18h45min, na Câmara de Vereadores, na reunião da Frente Parlamentar em Defesa do Serviço Público, que deverá contar com a presença do secretário municipal de Educação. Pouco antes desse horário, às 15h, também haverá representação escolar na reunião da Comissão de Educação, Cultura e Esporte da Câmara.

 Fonte: Portal do Simpa