sábado, 11 de março de 2017

É Mercado Público, não Mercadoria

Foto Henrique Ferreira Bregão/CMPA
Por Sofia Cavedon - Líder da Bancada do PT na Câmara Municipal

O Mercado Público Municipal é um patrimônio cultural da cidade de Porto Alegre, referência para o Rio Grande do Sul e turistas do Brasil e do mundo que nos visitam. As atividades comerciais ali desenvolvidas guardam grande identidade com as manifestações culturais originárias de nossa cidade. Histórias de vida e de famílias misturam-se com sabores, diversidade e a identidade da capital dos gaúchos: o jeito de atender, de apresentar os produtos, a aparentemente caótica e animada organização dos fluxos nas bancas, a elegância e qualidade das refeições ao lado do artesanato, do vinil, do aroma do bom café no ar, a alternativa do peixe, da embalagem, dos pães, numa arquitetura eclética leve, aconchegante e bonita.

Centro popular de compras, gastronomia e cultura, que reúne pessoas dos mais distintos recantos de Porto Alegre, do chef que busca especiarias aos cidadãos e cidadãs que compram ali os alimentos para suas refeições diárias e os mais de mil funcionários que ali trabalham. Seu segredo de resistência e graça certamente está no protagonismo dos permissionários, frequentadores e a força de sua presença no coração pulsante da cidade. Certamente sua gestão, que já foi mais compartilhada e transparente, em todos esses anos de existência tem limites, conflitos, insatisfações, no entanto, por envolver e responsabilizar permissionários no diálogo com o poder público, garante seu pleno funcionamento voltado às demandas dos frequentadores com a valorização dos inúmeros investimentos públicos colocados ali historicamente.

Entregar a gestão do Mercado Público para a iniciativa privada é desconhecer a riqueza desse processo, renunciar à possibilidade de aprimorá-lo, de superar dificuldades através do diálogo e da ampliação da participação da sociedade no controle de qualidade ali ofertada, tanto de ambiente quanto de serviços e produtos. Tomar o Mercado Público como espaço de exploração e lucro, desresponsabilizando-se do seu estratégico caráter popular, cultural, inclusivo, vai descaracterizá-lo enquanto um espaço popular de compras e de convivência, tirando a sua força de atração, quiçá expulsando comerciantes que há décadas servem a população de Porto Alegre, diante do provável aumento de custos que uma conversão à lógica privada traz.

Ao contrário disto, queremos mais pública e transparente sua gestão: a cidade precisa saber como está o FunMercado, a obra de restauração, o processo para ocupação plena do segundo piso, as melhorias no seu entorno, segurança e preservação!

Publicado no Jornal do Comércio na edição de 11/Março/2017