sábado, 16 de maio de 2015

A educação pede espaço - Por Sofia Cavedon*

Artigo publicado neste sábado (16) no jornal Correio do Povo.

Foto Cassiana Martins/CMPA
O Brasil tem novo Plano Nacional de Educação para os próximos dez anos. Deve expandir as vagas e qualificá-las, da Educação Infantil ao Ensino Superior e chegar a 10% do PIB, em investimentos.

Este é o primeiro plano na história do Brasil que resulta de duas Conferências Nacionais, de amplo debate com a sociedade, e consolida legislações que estabelecem novos patamares para esta área estratégica.

Um deles é a valorização dos profissionais. Precedido pela Lei do Piso Salarial, o PNE determina que em 5 anos os rendimentos dos professores devem ser equiparados à média dos demais profissionais com nível superior. O Sindicato dos Professores paulistas afirma que para alcançar esta meta seria necessário aumento real de 75%. Tamanha a defasagem dos salários nesta área que todos apontam como solução para os nossos problemas, da corrupção ao desenvolvimento econômico, da segurança à saúde.

No espaço físico das escolas, não é diferente. Enquanto outras áreas do serviço público –justiça, ministério público, parlamentos - trabalham em espaços confortáveis, modernos e luxuosos até, à educação destina-se lugares empobrecidos, sem manutenção, sem conforto, inseguros e nada estimuladores da boa convivência, da inventividade e da vontade de estudar.

Esta dimensão também deverá evoluir. Apresentei para a Porto Alegre um projeto de lei que determina que toda a construção e reforma de escolas deve, precedida de discussão com a comunidade escolar, garantir condições, entre outras, como:

- Conforto ambiental: adequação térmica, luminosa, visual, acústica e estética ao desenvolvimento das atividades escolares;
- Espaços adequados para as práticas de Educação Física, para cultura e estudos para professores, auditório, biblioteca com espaço para pesquisa e contação de histórias, além do acervo atualizado;
- Eficiência hídrica e energética com reaproveitamento da água e busca de fontes alternativas de energia, tanto para educar para práticas sustentáveis, quanto para otimizar recursos;
- Projeto paisagístico que propicie educação ambiental e contribua no conforto ambiental e segurança escolar;
- Infraestrutura, acessibilidade e tecnologias de acordo com o Projeto Político Pedagógico de cada escola.

Uma nova educação para uma Pátria Educadora exige novos espaços: físicos, orçamentários e curriculares. País rico é país sem educação pobre. Vamos construí-lo!

*Vereadora do PT/PoA

Veja também:
Em debate A Escola Cidadã no Século XXI

Conheça o projeto de lei  A Escola Cidadã no Século XXI acessando aqui.