sábado, 11 de abril de 2015

Para pôr fim à corrupção - Por Sofia Cavedon

Foto Marta Resing
Publicado no Jornal Correio do Povo de sexta-feira (10/4)

A investigação da corrupção na maior empresa brasileira, mais do que começar a recuperar recursos desviados, mostrar a autonomia e competência dos órgãos investigadores e de controle, nos ajuda a constituir um diagnóstico comum.

Identifica canais de financiamento de vários partidos, mostrando a vinculação direta com o sistema político e o sobre lucro obtido por empresários, o que lhes permite, com folga recuperar os investimentos nas campanhas e ainda pagar volumosas quantias para enriquecimento ilícito de funcionários públicos que favorecem o esquema.
Escutar e responder ao que unificou as caminhadas de 13 e de 15 do memorável março: a indignação com a corrupção – é responsabilidade de todos os que ocupam lugares no estado brasileiro, em nome dos cidadãos – sejam partidos da oposição, sejam situação.

Se tem responsabilidade a Presidenta da República e seu partido em implementar medidas que construam um estado mais virtuoso, o Congresso Nacional, precisa fazer sua tarefa de casa: projetos como o da antecipação da alienação de bens apreendidos dos investigados e a tipificação do enriquecimento ilícito patinam nos seus escaninhos desde 2005. A reforma política que interrompa o fluxo empresas – políticos – contratos – propinas já identificadas por todos, depende dele. Que chame o plebiscito reivindicado por 8 milhões de brasileiros em 2014, se não há consenso!

O Supremo Tribunal Federal, que já deu seis votos pela inconstitucionalidade arguida pela OAB, da contribuição das empresas às campanhas, mas que continua se submetendo a apenas um ministro, Gilmar Mendes, que engaveta a matéria há quatro meses – precisa saber que a fala das ruas exige também dele atitude e não procrastinação!

Envergonho-me que filiados do meu partido sejam denunciados por esquemas de corrupção, desejo e trabalho para que cada um seja responsabilizado nos termos da lei, desautorizado e afastado da vida partidária! Mas me orgulho muito de um Brasil que finalmente, investiga, julga e pune corruptos e corruptores e começa a recuperar o dinheiro público desviado.

É uma democracia sólida que pode construir um novo patamar de seriedade e transparência no trato do que é público, se cada um fizer a sua parte, sem golpes e sem retirada de direitos.

Vereadora do PT em Porto Alegre