quinta-feira, 26 de março de 2015

Uma cidade muito amada - Por Sofia Cavedon*

Artigo publicado no Jornal do Comércio, na edição desta quinta-feira - 26 de março - data do aniversário de 243 anos de Porto Alegre

Foto Marta Resing
Assim é Porto Alegre, uma cidade muito amada. Dirão alguns que será por seus parques, suas ruas arborizadas, seu lindo contorno aquífero onde o sol todo dia inventa um jeito de pintar. Eu digo que é pelas lutas que se fazem por ela, pelas causas que mobilizam seus cidadãos e suas cidadãs.

Domingo foi assinada a ata de fundação do Museu das Águas, sonho elaborado, acalentado desde 2004, que mobiliza 14 entidades e dezenas de pessoas que querem erguê-lo pela arte, pela memória e pela educação. As bicicletas viraram marca da cidade, por se oporem à intolerância, à velocidade e à falta de cuidado com a vida. Os cicloativistas lutam para a gestão e o orçamento priorizarem a reeducação do trânsito, uma circulação mais harmoniosa, menos poluente e estressante e, nesta luta, usam a dística "Mais amor menos motor".

É por amor a esta cidade que os moradores da Anita, a comunidade escolar da Amigos do Verde, as moradoras do entorno da Usina do Gasômetro, os ecologistas da Agapan resistem à retirada das árvores e insistem em soluções mais sustentáveis para o desenvolvimento. Até um "Chega de Demolir Porto Alegre" a cidade ganhou: grupo que iniciou buscando preservar as charmosas passagens e escadarias do bairro Assunção, defende a preservação de nosso patrimônio cultural. Ama Porto Alegre, pois a quer uma cidade bonita.

Pela luta dos seus moradores e ativistas urbanos, seus espaços vazios devem ser destinados para moradia popular. Essa união, no Morro Santa Tereza, conquistou para a cidade um novo parque e, por seus sonhos, o prédio que é hoje é espaço de adolescentes em conflito com a lei será um Museu do Brinquedo!

Então, em Porto Alegre, a bandeira do Brasil não tem só Ordem e Progresso, tem o amor como princípio. Fui compreender com Roberto Crema, da Universidade da Paz, que os positivistas que fundaram a República deixaram o "amor" de fora ? tempos autoritários demais para suportá-lo no símbolo nacional. Apesar de ser à época "Mui Leal e Valerosa", a Capital dos gaúchos tem dentro de si a insubordinação à ordem desigual e injusta.

Feliz aniversário, amada Porto Alegre!

*Vereadora/PT de Porto Alegre

Fonte: Portal do Jornal do Comércio.