sábado, 18 de outubro de 2014

A vez da educação - Por Sofia Cavedon

Artigo publicado no Jornal Correio do Povo deste Sábado - 18/out/2014.

Nunca perspectivas tão promissoras se apresentaram para a educação brasileira: o Plano Nacional da Educação recém-aprovado e sancionado pela Presidenta da República indica para os próximos dez anos aumento progressivo do investimento na área chegando ao final da década em mais do que o dobro dos recursos atuais. Suas metas de garantia do acesso, permanência e qualidade para todas as crianças e juventude, dos quatro aos dezessete anos; o aumento progressivo do tempo na escola, da valorização e investimento em formação dos profissionais, em todos os níveis e modalidades de ensino nunca foram tão ousadas e nem tiveram fonte de recurso novo, consagrada em Lei: os royalties do petróleo.

No entanto, assim como não foram naturais estas conquistas, e sim produzidas na luta social, serão necessários profundos debates e um processo continuado e participativo da sociedade brasileira, em especial dos educadores e estudantes, para que este recurso, em primeiro lugar se realize e em segundo, incida de verdade sobre a qualidade.

E não haverá acordos fáceis que definam os rumos deste novo momento: tanto melhor será o caminho quanto mais debatidas e cotejadas as concepções dos diferentes atores, gestores e usuários. Não existe neutralidade na educação, engana-se quem ainda pensa que é técnica e exercício. Educação trata da formação do humano e esta dimensão ética passa pela garantia do direito à educação de todos e todas. O respeito à condição de sujeitos livres, produtores do próprio conhecimento e da própria existência. Só o fortalecimento da gestão democrática, da escola aos sistemas de ensino, como conteúdo e forma de aula e da gestão, poderão garantir isto.

Dar conta da ampliação do capital cultural dos professores e professoras, da reflexão permanente da prática educativa, da atualização tecnológica, passa pelos novos recursos resultarem em tempo maior para estudo, planejamento coletivo, formação permanente e salários que permitam este crescimento. Dar conta da retirada das barreiras materiais, culturais, econômicas e sociais, que impedem o percurso educativo completo das e dos estudantes, vai exigir a ampliação de espaços de aprendizagem e programas de moradia, renda, transporte, saúde e assistência social.

Mas a revolução da educação certamente passa pela reinvenção permanente do seu currículo. Ou é pesquisa, investigação, reflexão, dúvida, ebulição permanente, de professores e estudantes, para além dos muros da escola ou é obsoleta, desinteressante e anacrônica.

Homenagear o professor e a professora é, portanto comprometer-se com o processo coletivo e democrático de produção do seu ofício, da sua escola, do seu país!

Sofia Cavedon – Vereadora do PT em Porto Alegre