terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Para que se instale a defesa do interesse público e a verdade - Por Sofia Cavedon

Foto Leonardo Contursi/CMPA
O Vice-prefeito da Capital reage a meu artigo publicado na ZH do dia 13/01 sob o título: Novos tempos para o interesse público, e foi importante que o fizesse. Só que não tentando demonstrar que são inverdades ou leviandades, como afirma, os fatos com os quais aponto que também em Porto Alegre os princípios constitucionais da administração pública não são observados, mas sim buscando caracterizar minha postura de fiscalização e proposição para a garantida do interesse público, como de mera oposição pela oposição. Como uma cortina de fumaça faz uma analogia com o belo filme “Adeus a Lênin” e ao fim da experiência de socialismo real tentando dizer que novos tempos se instalaram e que esta vereadora não percebeu.

Ora, é importante lembrar que os princípios que utilizo como parâmetros no artigo publicado na Zero Hora, não são do comunismo ou do socialismo – que seguem sendo meu sentido estratégico de interferir na história – mas simplesmente republicanos. E reivindicar que a República se instale de fato, não é saudosismo nem sectarismo. Tenho certeza que é o grande desejo da população brasileira.

Resgato aqui um parágrafo que precisei cortar devido ao tamanho do espaço para artigos, onde demonstrava mais detalhadamente um dos itens por mim elencados, demonstrando imoralidade, improbidade, ilegalidade no trato dos negócios públicos:

“Vejamos o caso da OAS, que em 2011, representei com lideranças da região implicada junto ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público Estadual, advertindo que as contrapartidas pelo impacto ambiental e urbano não estavam sendo realizadas. Até o final deste ano - mesmo advertido, publicizada muitas vezes a denúncia, ajuizadas ações civis públicas pelo próprio Ministério Público - o governo municipal seguiu, não apenas isentando a empresa de suas responsabilidades, mas buscando recursos públicos para fazer as obras que eram determinadas pelo licenciamento, no custo de cento e vinte milhões de reais! É o tamanho do prejuízo financeiro que esta decisão trouxe aos cofres públicos. No entanto, o impacto social da ausência destas obras na comunidade do entorno que sofre com falta de saneamento, de vias adequadas e de moradias dignas, e para os frequentadores da Arena, é imensurável!

O que faz com que o gestor e os parlamentares assumam tamanho risco de improbidade e imponham tantos prejuízos ao interesse público?” perguntava-me. E remetia ao financiamento privado das campanhas.

Neste caso a ação, desta vereadora, das lideranças comunitárias e a atuação do MP, fará com que se recupere para Porto Alegre todo este recurso! Espero que tenhamos mais resultado do que com os dez milhões da Saúde – caso Sollus - e outros tantos do ProJovem e da Procempa.

“Adeus a Lênin” já disse esta vereadora ao que teve de estalinista e burocrática a revolução russa e que sempre lutou pelo socialismo com democracia. Espero que os gestores municipais digam adeus à corrupção e às ilegalidades para que se instale a defesa do interesse público na capital do Rio Grande.

Sofia Cavedon – Vereadora PT/PoA