sábado, 25 de janeiro de 2014

Abraçar o Julinho - Por Sofia Cavedon

Artigo publicado no Portal do Sul21, no dia 24 de janeiro de 2014.

Imagem Web
Abraçar o Julinho deve significar compromisso com a educação competente na inclusão e no sucesso escolar dos alunos e alunas. Escola pioneira e combativa pela educação de qualidade, não merece virar centro de disputa política, mas sim, precisa de apoio para enfrentar os desafios administrativos e pedagógicos que não são diferentes das escolas de Ensino Médio que se propõem a assumir este desafio.

Se a SEDUC optou por fazer uma sindicância, talvez seja por ter sido surpreendida por dramática reportagem, que como bem diz o diretor do Julinho em seu artigo publicado, desconheceu os inúmeros projetos pedagógicos significativos e de qualidade que a escola desenvolve, mas uma sindicância que deverá apurar os problemas, dimensionar os prejuízos dos alunos e indicar recuperações e mudanças, tanto para a escola, quanto para a própria Secretaria, não significa intervenção. Significa que o gestor quer dar respostas ao descumprimento do direito dos alunos exposto na reportagem. Se for parte de um diálogo sério e consequente entre escola – na sua dimensão da comunidade escolar – e Secretaria, ambas estarão construindo a superação.

Sabemos que a desacomodação que traz novas propostas para a educação sempre causa desconforto. Não é diferente no Julinho. No entanto, estas novas propostas serem resultado de uma conferência de Educação, com delegações desde a escola, traz responsabilidade com sua consequência, com a reflexão coletiva realizada com alunos, pais, funcionários e professores. Abraçar o Julinho é apoiá-lo para que responda às novas diretrizes curriculares por ela referendadas e recriadas – a partir, é claro, de seu contexto, do protagonismo de seus alunos e professores. Abraçar o Julinho é ajudá-lo a compreender os motivos da evasão e da repetência e fortalecer suas melhores práticas e investir em novas, que possam trazer resultados efetivos.

Foto Francielle Caetano/CMPA
Fazer educação é algo muito sério! Entender que a escola tem a ver sim com os projetos de vida da juventude, que aprender a pesquisar a partir da realidade e de seu interesse sobre ela, articulando as áreas do conhecimento é um dos caminhos para resgatar com esta juventude o sentido da escola. Isto e muito mais é o Politécnico: novos espaços para a criatividade e o protagonismo de alunos e professores, com a complexidade e rigorosidade necessária à construção do conhecimento significativo. Trabalhos neste sentido, eu mesma assisti no Julinho. É verdade que é desigual a caminhada de cada professor e cada turma, porém as mudanças nunca são tranquilas nem homogêneas, mas a educação, em especial no Ensino Médio, precisa de mudanças!

Se ainda restam problemas estruturais físicos e de recursos humanos, parte deste compromisso é pressionar por soluções. Mais de mil escolas reformadas e qualificadas, as promoções atualizadas depois de décadas de congelamento, dois concursos públicos e milhares de nomeações, se não são suficientes para sanar o problema dos contratos precários e suprir a contento as necessidades materiais e humanas, são, no mínimo, demonstrativos do compromisso político e do enorme esforço diante de um déficit histórico, de estabelecer outro patamar de condições para a educação que sonhamos acontecer.

Tem, o professor Jose Clovis de Azevedo, este sonho. É determinado e democrático, aposta no intenso debate pedagógico que envolve alunos e professores e os torna protagonistas de uma nova escola, mas é intransigente com a escola excludente e com a irresponsabilidade diante do direito à educação. Tem nosso governo – liderado por Tarso Genro este compromisso: vem investindo como nunca na reestruturação das escolas, na remuneração e valorização dos professores e no investimento do seu capital cultural e na sua condição de pesquisadores e construtores de um currículo de qualidade e emancipatório para todos os estudantes!

Certamente há muito por fazer, mas acusar nosso governo de submeter o interesse público e da educação ao problema das alianças partidárias, revela que o sentido da crítica não é da aposta na qualificação da educação, mas na exploração da disputa política… e isto não é abraçar de verdade o nosso valoroso Colégio Estadual Julio de Castilhos.

Sofia Cavedon é vereadora do PT em Porto Alegre.

Fonte: Portal do Sul21