terça-feira, 29 de outubro de 2013

Caravana das boas práticas pedagógicas - Por Sofia Cavedon

Artigo publicado na edição desta terça-feira (29/10) do jornal Zero Hora

Privilégios, 
desigualdade, 
corrupção não 
permitem garantir 
educação de 
qualidade 
para todos! 

Em 2011, o parlamento municipal se propôs a “transformar leis em direitos”. Por isto, andar nos ônibus para ouvir do usuário, sentir com ele as dificuldades, circular nas comunidades checando a realização das políticas públicas, ouvir os pacientes nas emergências, instalar a ouvidoria nas ruas e praças, ativar a cultura em seus espaços e estar com os artistas e escritores nos seus movimentos. E na educação? Instalamos um processo de amorosa busca e desvelamento das práticas pedagógicas. Para aprender com elas, para saber das possibilidades e limites. Para ouvir os alunos e professores, empoderar a sua fala, arte, saber e fazê-los circular.

A escola é sempre palco de questionamentos, de forma geral, em especial a pública, é mal avaliada e em meia dúzia de argumentos, sempre os mesmos, se explica seu fracasso. Cai-se facilmente na solução de criar testes ligados a estímulos ao mérito, para tentar pelo controle, melhorar a educação. Ficar nesse lugar era muito pouco para vereadores, em especial da Comissão da Educação e Cultura _ delegados que foram pelo poder popular para atuar pelos direitos.

A Dra. Ana Freitas (PUCRS) propõe outro caminho: “Tomar como ponto de partida o saber de experiência feito, tanto dos e das professoras quanto dos demais segmentos, é fundamental para que todos sejam sujeitos de um processo de teorização da própria prática, em que a teoria serve de orientação para a construção de um conhecimento libertador”.

Em vez de controlar, libertar. Fomos às escolas para que, ao contar, mostrar ao parlamento e compartilhar com a sociedade em geral, pela divulgação que nos propusemos a proporcionar, alunos e professores revisitassem suas práticas e convicções que as sustentam, e nós revisitássemos nossas teses e, portanto, nossa atuação.

A exposição na Câmara Municipal, o livreto que retratou o que vimos e espalhou-se pelas redes de ensino de 2011, ampliam-se neste ano com um seminário de reflexão entre os educadores e intelectuais de renome internacional e com a edição de um caderno no qual estará, não mais só a notícia da prática, mas o registro dela, não apenas contado, mas refletido pelos professores.

As caravanas estão desvelando as mais diversas formas de provocar o alargamento das fronteiras culturais e humanas dos estudantes. Por mais que seja uma amostragem, dizem de uma escola que se reinventa, busca respostas, luta pelo investimento em tempo, recursos e espaços que vai garantir esse direito a todos! E a nós cabe mudar a política: privilégios, desigualdade, corrupção não permitem garantir educação de qualidade para todos!

Sofia Cavedon - Vereadora PT/PoA

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