quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ao humano que movimenta o transporte - Por Sofia Cavedon

Artigo publicado na edição desta quinta-feira (08/8) no Jornal do Comércio.

O transporte coletivo - sua qualidade, o preço da passagem, a fragilidade das concessões, o passe livre para os estudantes - está no centro dos debates e das mobilizações deste turbulento ano de 2013. Quase invisíveis estão os trabalhadores desse setor, o impacto destas dimensões em seu trabalho e suas vidas. A tensão aumentada pela pressão da população em função da superlotação, do atraso sistemático, da falta de climatização e acessibilidade, tem no motorista e no cobrador a primeira válvula de escape.

De outro lado, os dados do mês de junho assustam: aumentaram os assaltos e agressões nos coletivos praticados não só contra a tripulação, mas também aos passageiros. Dirigindo a atenção e a escuta a estes trabalhadores, que muitas vezes sequer cumprimentamos ao ingressar no ônibus, vamos descobrir que enfrentam tudo isto com condições pouco dignas, suportes frágeis e jornadas extenuantes.

Tentem imaginar uma jornada de trabalho no ônibus, que se inicia às 7h e termina às 19h – o chamado e questionado “tabelão”, o entra e sai dos passageiros controlados por três espelhos, e a advertência do cobrador – pois que a alteração para ingresso pela porta da frente e saída pela de trás piorou as condições de visibilidade, além de colocar os passageiros andando contra o fluxo – com muito mais tombos e acidentes.

Passem nos finais de linha, onde os trabalhadores fazem o intervalo ou suas necessidades, e encontrarão espaços com péssimas condições de lanche, descanso ou banheiros – quando estes existem! Todos trabalhadores têm suas dificuldades, dirão, porém, quando eles são ouvidos sobre o processo de trabalho, a construção de qualidade e maior conforto na sua atuação é bem mais provável! Interessa à tarifa justa que os rodoviários participem da gestão, sejam protagonistas desta construção, tenham sua organização sindical reconhecida – quando eleita democraticamente - e sejam respeitados e apoiados por todos no enfrentamento de condições tão difíceis diante da enorme responsabilidade com o que conduzem!

Sofia Cavedon - Vereadora/PT

Fonte: Jornal do Comércio.