sexta-feira, 21 de junho de 2013

Das ruas para a Reforma Política

Por Sofia Cavedon – PT-PoA 

Foto Divulgação Gabinete
A melhor atitude que podemos tomar é chamar uma Assembleia Constituinte Exclusiva para fazer a reforma política! 

O Brasil está surpreso e perdido diante da tomada das ruas pela juventude. Entre os que olham com benevolência e tolerância com o que consideram rebeldia da juventude e os que resumem a vândalos e depredadores e determinam a repressão policial, está uma postura de indiferença à pauta que os embala e mobiliza.

Pauta esta que está nos cartazes, pichadas nos muros e corpos, refrães repetidos nas caminhadas é que devia merecer a atenção dos governantes, da mídia e dos analistas políticos, muito mais que os eventuais exageros das manifestações. As instituições insistem em silenciar sobre os temas que revoltam e mobilizam a juventude.

Manoel Castells afirma que todos estes movimentos nascem de uma situação social que se considera não tolerável como a indignação com a ideia de salvar os bancos e sacrificar as pessoas que gerou o occupy wallstreet. Eles ocupam espaços territoriais – forma nova de espaço público: o de autonomia. São autônomos das instituições porque querem mudar o modelo, querem subverter a ordem.

Quanto mais as instituições se afastam das demandas que movimentam milhares de jovens, mais se amplia a crise da democracia representativa. A pauta do Passe Livre enseja uma enorme insatisfação com as concessões públicas dos serviços de transporte por todo o Brasil, no entanto, estão na base da indignação as inúmeras evidências de corrupção que envolve o sistema político brasileiro e os negócios no entorno da Copa - que deslocam milhares de pessoas das suas casas, que atingem o ambiente natural e que captam milhões dos fundos públicos para potencializar negócios privados.

Se a única resposta que as instituições derem for o controle ou a repressão via forças de segurança, maior será o descrédito na democracia representativa. Mais do que isto, produzirão reações maiores que vem da necessidade de obter respostas. “Os movimentos são sempre embalados por uma imagem – quanto mais se reprime o movimento, mais imagens se geram e mais pessoas se identificam a partir das imagens que reprimem ideias como as deles” analisa Castells.

Arte Mario Pepo
A melhor atitude que podemos tomar é darmos aos movimentos de rua outras imagens: atitudes de escuta e mudança das políticas e das instituições, como a chamada de uma Assembleia Constituinte Exclusiva para fazer a reforma política

Aí sim, a experimentação de cidadania que estes movimentos oportunizam, se transformará em esperança e aposta na transformação da política do estado brasileiro.

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