quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Do destino das cidades e da cidadania - Por Sofia Cavedon

Artigo da vereadora Sofia Cavedon (PT-PoA) publicado na edição desta quarta-feira (02/01) no jornal Zero Hora.

Do destino das cidades e da cidadania 

Foto Marta Resing
Em 2013 novos governos assumem em todas as cidades do país. Se engana quem acha que seus destinos são individuais e atomizados, que as eleições respondem a processos específicos e autônomos apenas.

É nas cidades que se revelam fenômenos como o chamado "gentrificação" ou instalação do modelo cidades-empresas americano _ embalado agora pelo grande negócio "Copa do Mundo", contratado com os países, com regras que se sobrepõem à soberania nacional. Trata-se do "aburguesamento" de suas áreas centrais que são tradicionalmente ocupadas pelos pobres, com a consequente expulsão dessas populações mais carentes, resultando na valorização imobiliária desses espaços.

De caráter excludente e privatizador, este processo combina farta distribuição do direito de construir e de fazer negócios mais nas áreas mais nobres com a segregação dos pobres nas áreas mais longínquas, carentes de infraestrutura, de serviços públicos, de acesso à renda. Leis encaminhadas pelos gestores são apoiadas nos parlamentos e promovem estes incentivos, quase sempre impermeáveis a qualquer mecanismo de garantia de retorno ao interesse público geral, ou mesmo de contrapartidas mitigadoras dos impactos urbanos e ambientais. Um dos indicadores de que esta lógica é degradadora para todos, é a escalada da violência, que contrasta com um país que avança na inclusão social. Diante da profunda desigualdade e da segregação, nem os valores de consumo, de competição e de individualismo, vendidos como possibilidades de sucesso, nem as políticas sociais públicas, seja de promoção, seja de repressão, são suficientes para enfrentá-la.

No pleito municipal recente, em especial nas grandes cidades, os beneficiados e interessados nesta política investiram larga e generosamente em seus representantes nas disputas eleitorais. Financiando campanhas milionárias a contratação de exímios marqueteiros, apoiaram alargadas coalizões que diluem os verdadeiros interesses dos partidos e consolidaram sua influência nas políticas públicas.

Movimentos urbanos de resistência criam consciência do processo em curso e busca empoderar a cidadania: os Comitês Populares da Copa, os Movimentos Ambientalistas, os Fóruns de Reforma Urbana, o emblemático Movimento em Defesa da Alegria Pública em Porto Alegre.

Para além da eleição, e da urgente alteração de suas regras, é preciso o acompanhamento crítico e a participação direta, se queremos pela democracia, construir paz e sustentabilidade, dignidade e qualidade de vida para todos.

Sofia Cavedon