quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Câmara no ônibus - Por Sofia Cavedon

Artigo publicado na edição desta quarta-feira (3/8) no Jornal do Comércio.

É preciso pegar ônibus para sentir por onde pulsa a cidade que se conforma coletivamente. Sentida do lugar do carro, do olhar individual, da análise à distância, a cidade nos engana. Só dentro do ônibus, apertados, impotentes, abafados, se pode ouvir a passageira: “eles nos tratam assim porque não temos alternativa” ou “se fosse só uma vez, mas são todos os dias, ida e volta, com dia inteiro de trabalho no meio”.
Há quem afirme que é assim em todo o mundo, nos horários de pico. Eu afirmo que tudo que é produzido pelo ser humano de um jeito, pode ser produzido de outro jeito. Que a coisas são como as fazemos ou como deixamos que aconteçam.

A política de mobilidade ao invés de contribuir para a qualidade da vida nas cidades, tem sido um fator de sua deterioração, causando redução dos índices de mobilidade e acessibilidade, degradação das condições ambientais, desperdício de tempo e elevação da mortalidade por acidentes.

Esta situação tem raízes em fatores sociais, políticos e econômicos mas, fundamentalmente, é produto de decisões passadas nas políticas urbanas. Priorizou-se um modelo de circulação insustentável, fundado no transporte motorizado, rodoviário e individual: o automóvel. E o sistema de transporte público foi relegado ao delicado (des)equilíbrio entre custos operacionais, tarifas e receitas, quando deveria ser controlado na qualidade do serviço que presta, ajustado às mudanças e demandas da cidade.

É hora de Porto Alegre realizar o seu Plano de Transporte Urbano Integrado para reorientar sua mobilidade, priorizando o transporte coletivo, a circulação do pedestre e dos meios não motorizados.

Continuaremos nos ônibus, para que o que o usuário, que sente e sofre ao utilizar o transporte público, receba a atenção pela importância que tem e tenha lugar no planejamento da circulação na cidade. A escuta da população atendida tem que ser incorporada como critério de controle desta política pública concedida, mas também pelo direito de consumidor, que paga caro por um produto que não o satisfaz!

Não há saída individual para este tema, temos que fazer com que a maioria queira e opte pelo coletivo, por sua qualidade, conforto e rapidez. Assim a cidade se viabilizará para todos, será inclusiva e protegerá o meio ambiente e a vida humana!

Vereadora Sofia Cavedon,
Presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre

Fonte: Jornal do Comércio