segunda-feira, 20 de junho de 2011

A juventude e a democracia

foto fernanda westerhofer/cmpa
Artigo da vereadora Sofia Cavedon

No mundo, mais uma vez são os jovens que se levantam por liberdade, igualdade e democracia: nos subúrbios de Paris, nas praças de Madri, nas ruas do Mundo Árabe. Pagam com a vida em pleno século XXI, porque não se acomodam, não conciliam com um estado sem ética, que viola direitos, que reprime autonomia.

Quem não se lembra das imagens de centenas de jovens presos só por estarem no XXX Congresso Nacional da UNE – União Nacional dos Estudantes - em Ibiúna? Lá estavam estudantes das universidades gaúchas, que sempre foram lugar dos grandes debates nacionais, da formação de sujeitos críticos, de consciências livres e práticas libertadoras! Em Porto Alegre, também palco da resistência nos anos de exceção, com o ápice em 68, estudantes foram presos, torturados e mortos por não aceitarem os Diretórios Acadêmicos das Universidades serem fechados, encontros estudantis criminalizados, professores e parlamentares cassados.

Por mais espantoso que pareça, em 2011, mais de quarenta anos depois daqueles episódios, estudantes fecham ruas, ocupam espaços da universidade, acampam, sofrem violência porque querem participar do 52° CONUNE – Congresso da UNE - e sequer tem justificativas para suas chapas não terem sido homologadas para disputar no voto algumas vagas.

Os acontecimentos que estão envolvendo os jovens estudantes da PUC expõem práticas que perduram anos, de quando em quando questionadas, sempre no conflito por falta de consistência democrática.

O ambiente universitário, assim como a educação básica, é lugar de efervescência cultural, da pluralidade, de laboratório de exercício da cidadania, de aprender a participar participando, de aprender a conviver com a divergência e a dirimi-la através dos mecanismos democráticos, da garantia da livre manifestação e da defesa das ideias. Assim preconiza a Constituição Federal – construída no processo de redemocratização do Brasil - para todo o ambiente da República, e se impõe ainda mais na educação por ali dar-se a formação do sujeito que será o cidadão partícipe, o soberano de uma nação democrática, que exercerá o poder diretamente ou pelos representantes que elege.

A autonomia do movimento estudantil não autoriza eleições e gestões questionadas na sua legitimidade, promotoras de violência, violadoras de direitos. Por isso, as Instituições garantidoras do Estado Democrático de direito se uniram à Direção da PUC e instalam uma mesa onde os estudantes dialoguem. Dali apostamos que saiam novos patamares de democracia estudantil, que honrem a história dos jovens do Brasil e do Mundo!

Sofia Cavedon – Presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre